O aquecimento global é uma das maiores preocupações a nível mundial. A maior parte de nós, quando questionados sobre qual será a maior fonte de emissão de gases de estufa, respondemos: os carros que conduzimos, a indústria, a energia em excesso que gastamos, os aviões, o lixo etc. São sempre as mesmas respostas familiares e claro não deixam de ser verdade.
Mas qual será mesmo a maior fonte emissora de gases de estufa?
A indústria pecuária. Sim, a indústria pecuária! É responsável pela emissão de 18% dos gases de estufa totais.
Mas então como é que isto é possível?
É bem simples na verdade, antigamente os fazendeiros tinham uma quinta e alguns animais nos seus terrenos. Com a necessidade ou vontade de produzir mais, começaram a ser criadas indústrias de exploração intensiva - maior número de animais num espaço fechado e reduzido, alimentados de forma ao seu rápido crescimento e obtendo maior produção. Com tanta industrialização biliões de quilos de excrementos passaram a ser produzidos assim como a emissão de gases.
Como é óbvio os animais necessitam de alimentação. Foram então destruídas milhares de florestas para plantação de soja, que posteriormente são tratadas com enormes quantidades de pesticidas. Com a destruição destas florestas a produção de oxigénio diminui.
As vacas têm um sistema digestivo complexo, conseguem digerir fibra que o humano não consegue. Para o fazerem existe um compartimento chamado rúmen onde vivem inúmeras bactérias e fungos. Estes microrganismos são anaeróbios e por isso não utilizam oxigénio, tendo como produto final o metano. Quando comparado com o dióxido de carbono, o metano é 21% mais potente. Uma vaca produz cerca de 500 a 700 litros de metano por dia, produz por ano a mesma quantidade de gases poluentes que um carro ligeiro produziria se desse volta e meia ao mundo.
É de notar ainda que 40 a 50% dos cereais produzidos não são para consumo humano, mas para alimentar os animais, inclusive a soja em que a produção destinada aos animais ronda os 75%. Não esquecendo a água que é necessária para produzir tanta carne: por cada quilo de alimento que uma vaca come são utilizados 11.000 de litros de água.
Então e o bem-estar animal?
Com tanta produção de carne, acabaram-se as quintas rurais e a ideia de que os animais são bem tratados, respeitados e que andam ao ar livre transformou-se numa pura ilusão. Os leitões por exemplo são castrados sem anestésico, as porcas mal se conseguem mexer para alimentar os leitões nas jaulas de confinamento. Os pintos com poucos dias de vida são escolhidos, colocados em maquinas e transportados como se de um objeto se tratasse. As galinhas sofrem imenso com stress e problemas respiratórios devido ao ar saturado, chegam a depenar-se a si próprias ou a outras. São confinadas (raramente apenas uma) num espaço do tamanho de uma folha de papel A4. As vacas de leite são escolhidas pela sua capacidade de produzir. Os cruzamentos são feitos de forma a que as filhas produzam ainda mais leite do que as mães, chegando a ter um ubere tão grande que lhes é difícil a locomoção.




Como reduzir a emissão de gases pela indústria pecuária?
O excesso do consumo de carne tornou-se num problema bastante grave. É como um buffet: enchemos o prato com comida suficiente para alimentar quatro pessoas. Um milhão de pessoas que sofrem de obesidade num lado e no outro um bilião de pessoas que vão dormir com fome. Continuamos a consumir mais e mais. E esquecemo-nos que são precisas 10 vezes mais terras para produzir produtos animais do que produtos vegetais para a alimentação. Se no Reino Unido todos deixassem de comer carne apenas num dia por semana, a redução dos gases de estufa seria o mesmo que retirar 5 milhões de carros da estrada. Se no mundo inteiro isso acontecesse… bem… basta fazer as contas!
Veja o documentário abaixo:
Um dia por semana sem comer carne, faz a diferença:
Adaptado de Meat the Truth e Meat-Free Monday













